Se a causa da falta de ereção no homem for psicológica – causada ora pelo mito de que o homem tem de
- O Viagra®, marca original do sildenafil, nunca foi comercializado ou publicitado para o público feminino em Portugal.
- A investigação atual sobre o sildenafil em mulheres foca-se mais na fisiologia da excitação do que no desejo, o que limita a sua aplicação clínica.
- Mulheres grávidas ou a amamentar não devem tomar sildenafil, pois os riscos para o feto ou recém-nascido não estão adequadamente estudados.
- Em Portugal, a linha SNS 24 pode ser contactada para esclarecer dúvidas sobre medicamentos, incluindo o uso off-label de sildenafil.
- O sildenafil não é um afrodisíaco e não atua no cérebro para aumentar o desejo, ao contrário do que alguns mitos populares sugerem.
estar sempre pronto, ora pelas exigências de um bom desempenho -, tanto o Viagra como outros medicamentos no mercado não terão qualquer efeito.
Efeitos adversos
O medicamento que agora foi aprovado pela autoridade que regula os medicamento e alimentos nos Estados Unidos (FDA, Food and Drug Administration) já tinha visto o pedido de comercialização recusado duas vezes em 2010 e 2013, por não conseguir demonstrar que realmente resolvia o problema e porque apresentava manifestações severas dos efeitos secundários. “A combinação de uma prova de eficácia não muito robusta e o facto de o perfil de segurança não estar bem caracterizado fez-nos concluir que não estaria pronto para aprovação”, disse Sandra Kweder, vice-diretora do Gabinete de Novos Fármacos da FDA, citada pela NPR. A aceitação de comercialização em agosto de 2015, mediante recomendação de um painel de especialistas, parece ter sido em parte influenciada pelos testemunhos de mulheres que dizem ter sentido melhorias depois de tomarem o medicamento e pela pressão de movimentos que acusam a FDA de não se preocupar o suficiente com a sexualidade feminina. Um deles – Even the Score -, do qual a Sprout Pharmaceuticals faz parte, até preparou um vídeo de agradecimento à autoridade norte-americana. “A aprovação de hoje [dia 18 de agosto de 2015] fornece às mulheres angustiadas com a falta de desejo sexual uma opção de tratamento autorizada”, disse em comunicado de imprensa Janet Woodcock, diretora do Centro de Avaliação e Pesquisa de Drogas da FDA.
1. Flibanserin
“A FDA esforça-se por proteger e promover a saúde das mulheres e estamos comprometidos em apoiar o desenvolvimento de tratamentos seguros e eficazes para a disfunção sexual feminina.” Os ensaios clínicos realizados pelo laboratório Sprout Pharmaceuticals, que incluíram 2.400 mulheres antes de entrarem na menopausa, mostraram que o número de eventos sexuais satisfatórios foi maiores nas mulheres que tomaram flibanserina do que nas que tomaram placebo (comprimido sem medicamento dado com fins sugestivos). Mas a diferença parece pequena: ao longo dos meses de tratamento, as mulheres que tomaram flibanserina tiveram mais 0,5 a 1 encontro sexual satisfatório por mês, contra 0,3 a 0,4 nas mulheres que tomaram placebo. O medicamento que só funcionou em oito a 13 por cento das mulheres, segundo o site Vox, foi classificado de “um afrodisíaco medíocre com efeitos secundários assustadores”, pela diretora do projeto PharmedOut da Universidade de Georgetown, Adriane Fugh-Berman, que estudou a campanha de marketing do flibanserina. No mesmo site lê-se que a farmacêutica não melhorou os resultados desde a recusa em 2013, mas lançou uma forte campanha para acusar a FDA se não se preocupar com a saúde sexual das mulheres. 5 reasons to be skeptical of the new "female Viagra" pic.twitter.com/8FuGiZPmYD A falta de desejo sexual feminino não depende exclusivamente de fatores biológicos, a maior parte são questões psicológicas, como as emoções e pensamentos, a baixa autoestima, as crenças sobre a sexualidade feminina, assim como a relação com o parceiro sexual e com os outros.
Efeitos colaterais graves
E em relação a estes fatores não há nada que um comprimido possa fazer. Os problemas biológicos surgem sobretudo na fase da peri-menopausa – quando se iniciam com os primeiros sinais de menopausa – e pós-menopausa, porque é neste período há alterações nas hormonas e no aparelho reprodutor feminino. Mas o medicamento já não é recomendado nesta fase da vida das mulheres. Nestes casos recorre-se ao tratamento hormonal de substituição. “Não se pode pensar que o desejo sexual se esgota em termos biológicos. Neste caso os especialistas recomendam terapia sexual.
| Produto | Dosagem | Quantidade + Bónus | Preço | |
|---|---|---|---|---|
| Cialis Genérico | 2.5mg | 120 + 6 comprimidos | 128.93€ 122.79€ | |
| Cialis Original | 20mg | 34 + 2 comprimidos | 183.99€ 175.23€ | |
| Kamagra Polo | 100 mg | 20 comprimidos | 83.56€ 79.58€ | |
| Kamagra Oral Jelly | 100mg | 21 saquetas | 95.92€ 91.35€ | |
| Viagra Original | 100mg | 92 + 4 comprimidos | 362.88€ 345.60€ | |
| Cialis Genérico | 60mg | 30 + 2 comprimidos | 85.33€ 81.27€ | |
| Kamagra Gold | 50 mg | 32 comprimidos | 103.06€ 98.15€ | |
| Kamagra Soft Tabs | 100 mg | 120 + 6 comprimidos | 311.78€ 296.93€ | |
| Cialis Genérico | 60mg | 120 + 8 comprimidos | 240.18€ 228.74€ | |
| Kamagra Oral Jelly | 100 mg | 220 + 18 saquetas | 662.24€ 630.70€ |
E mesmo quando a causa primária da disfunção erétil não é psicológica, este fator acaba por influenciar a vida sexual seja pela antecipação do fracasso ou pela diminuição da autoestima.
| Entidade reguladora | Estado atual | Indicação aprovada | Utilização off-label |
|---|---|---|---|
| INFARMED | Não aprovado para mulheres | Apenas disfunção erétil masculina | Possível com prescrição médica |
| EMA | Sem indicação feminina | Nenhuma | Responsabilidade do médico prescritor |
| FDA | Não aprovado para disfunção sexual feminina | Nenhuma | Uso experimental em ensaios |
| Ordem dos Farmacêuticos | Recomenda precaução | Não aplicável | Dispensa mediante receita válida |
O comprimido só permite que os mecanismos estejam prontos a funcionar”, disse o urologista Pepe Cardoso, presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia.
- A investigação sobre o sildenafil feminino foi largamente abandonada após o fracasso de ensaios de fase III, que não mostraram benefícios estatisticamente significativos.
- Em Portugal, o aconselhamento psicológico e a terapia cognitivo-comportamental são frequentemente mais eficazes do que fármacos para perturbações do desejo sexual feminino.
- O sildenafil pode exacerbar enxaquecas em mulheres propensas, devido ao seu efeito vasodilatador.
- Não existem formulações de sildenafil adaptadas à mucosa vaginal, como cremes ou óvulos, que poderiam reduzir os efeitos sistémicos.
- A crença cultural de que a sexualidade feminina deve ser espontânea e não medicalizada influencia a baixa procura por soluções farmacológicas em Portugal.
- O uso de sildenafil em mulheres com historial de abuso sexual deve ser cuidadosamente avaliado, pois pode reativar traumas sem resolver a causa subjacente.
Refira-se portanto que, mesmo para os homens que sofram de disfunção erétil, o Viagra e outros medicamentos não garantem uma ereção.
Segurança e avaliação do risco/benefício
Pensar assim vai criar uma ilusão que pode resultar em desilusão”, disse Sandra Vilarinho, presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica. E mesmo que o medicamento potencie a libertação de determinadas hormonas, que podem favorecer o sildenafil generico funciona desejo sexual, só por si não é garantia para resolver o problema. As interações entre as hormonas e neutransmissores e as células do cérebro, assim como os efeitos que têm, são mais complexos do que os resultados demonstrados. A terapeuta sexual Sandra Vilarinho receia que se tome o comprimido com esperança de resolver a falta de desejo sexual, ignorando o tratamento de outros problemas como excesso de trabalho, depressão ou outras dificuldades na relação. Pode saber mais sobre a opinião de especialistas portuguesas em relação ao medicamento flibanserina (aqui) ou ver um parecer publicado na revista científica The Journal of the American Medical Association (aqui).
4. Citrato de sildenafila precisa de receita?
A introdução do Viagra, o comprimido azul para tratar a disfunção erétil masculina, trouxe a solução para os problemas de disfunção sexual de muitos homens. E desde aí que se procura um equivalente para as mulheres. Mas o problema nas mulheres não é equivalente ao dos homens. O efeito do sildenafil (o composto do Viagra e de vários genéricos) é aumentar a irrigação sanguínea nos órgãos genitais. Também foi testado em mulheres, mas a melhoria da circulação sanguínea nos genitais não mostrou efeitos significativos no aumento do desejo sexual. O homem terá de sentir desejo sexual e para isso contribui em grande medida a participação do parceiro sexual.
- O sildenafil é um dos medicamentos mais falsificados do mundo, e a sua compra fora do circuito legal representa um risco acrescido para as mulheres.
- Em Portugal, a literacia em saúde sexual é baixa, e muitas mulheres desconhecem que a excitação e o desejo são processos distintos que o sildenafil não unifica.
- O sildenafil não é um tratamento para a anorgasmia feminina, e a sua utilização para esse fim não é suportada por evidência científica.
- A menopausa precoce ou induzida por quimioterapia pode causar disfunção sexual que não responde ao sildenafil, exigindo uma abordagem hormonal e psicológica integrada.
- O futuro da farmacoterapia para a disfunção sexual feminina em Portugal passa por moléculas que atuem no sistema nervoso central, e não apenas na vascularização genital.
- Nenhuma seguradora de saúde em Portugal comparticipa o sildenafil para uso feminino off-label, e o seu custo pode ser proibitivo para muitas mulheres.
- O sildenafil pode alterar transitoriamente a perceção das cores, um efeito secundário raro mas que pode ser alarmante para quem o desconhece.
- As mulheres com doenças renais ou hepáticas devem evitar o sildenafil, pois a eliminação do fármaco pode estar comprometida.
Para saber mais sobre a disfunção sexual no homem, clique aqui.
Transtorno de excitação sexual feminina e a promessa do Viagra
A médica sildenafil sem receita Carla Rodrigues, que pertence ao Núcleo de Sexologia da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, referiu que alguns países da Europa já usaram testosterona com o objetivo de melhorar o desejo nas mulheres durante a menopausa, mas este tipo de utilização foi interrompida. Agora estão em estudo fármacos que combinam dois princípios ativos: testosterona e sildenafil ou testosterona e buspirona (antidepressivo). O Viagra masculino e outros medicamentos da mesma categoria têm um princípio ativo diferente, o sildenafil (agora também disponível nos medicamento genéricos). Mas este composto não serve para aumentar o desejo sexual nos homens. Serve para tratar a disfunção erétil quando esta é causada por motivos fisiológicos, como a irrigação insuficiente do pénis que provoca a falta de ereção ou uma ereção flácida. A perda de desejo sexual nas mulheres pode ter uma causa biológica, que pode e deve ser
- O sildenafil não está aprovado para uso feminino em Portugal, sendo um medicamento sujeito a receita médica exclusivamente para a disfunção eréctil masculina.
- Estudos clínicos investigaram o sildenafil em mulheres com perturbação do desejo sexual hipoativo, mas os resultados não foram suficientemente consistentes para aprovação regulamentar.
- A utilização off-label em mulheres pode ocorrer em contextos muito específicos, como em ensaios clínicos ou por indicação de um médico especialista em medicina sexual.
- Em Portugal, a automedicação com sildenafil por mulheres é desaconselhada e pode acarretar riscos graves para a saúde cardiovascular.
- Os efeitos secundários mais comuns do sildenafil, como cefaleias, rubor facial e congestão nasal, são semelhantes em homens e mulheres.
- Não existem genéricos de sildenafil especificamente rotulados para o público feminino nas farmácias portuguesas.
- A investigação sobre o sildenafil feminino centra-se sobretudo em mulheres pós-menopáusicas ou com disfunção sexual induzida por antidepressivos.
tratada, mas a maior parte das vezes as dificuldades são causadas por outros motivos – as expectativas desfasadas
Ver também
Mas, como refere a FDA em comunicado, ainda não foi possível perceber qual o mecanismo pelo qual aumenta o desejo sexual e diminui a ansiedade em relação a isso. See how the 'female Viagra' drug works pic.twitter.com/fb9kzpz3dk A Business Insider referiu que os alvos do flibanserina são dois neurotransmissores (substâncias que transmitem impulso nervoso): a dopamina, que atua na sensação de recompensa e prazer, e a norepinefrina, que controla a atenção e e a resposta ao meio ambiente. No entanto, e como alertou Bernardo Barahona Corrêa, consultor na Unidade de Neuropsiquiatria da Fundação Champalimaud, ainda existem poucas evidências que este fármaco seja realmente eficaz a cumprir o objetivo a que se destina. “Addyi foi aprovado com um estratégia para avaliação e mitigação do risco (REMS), que inclui elementos para assegurar o uso seguro (ETASU)”, referiu a FDA em comunicado de imprensa. Estas medidas foram tomadas devido aos efeitos secundários previstos: pode causar quebras de tensão e perdas de consciência, efeitos que são agravados quando há ingestão de álcool, quando a mulher está a tomar determinados medicamentos ou caso tenha problemas de fígado.
Carrinho vazio?
O medicamento que promete ser revolucionário vem recheado de avisos e precauções: obriga à prescrição médica e à formação específica e certificação dos profissionais se saúde – médicos e farmacêuticos -, alerta a FDA. “Os doentes e aqueles que prescrevem [o medicamento] devem compreender totalmente os riscos associado ao uso de Addyi antes de considerarem o tratamento”, disse em comunicado de imprensa Janet Woodcock, diretora do Centro de Avaliação e Pesquisa de Drogas da FDA. Aconselha-se que as mulheres tomem o medicamento ao deitar, para diminuir as consequências dos possíveis efeitos secundários, como hipotensão, síncope ou sonolência. E o consumo de álcool é totalmente contraindicado enquanto a mulher estiver a tomar a medicação. Durante os ensaios clínicos, as mulheres também referiram tonturas, náuseas, fadiga, insónia e boca seca.
3. DHEA
No site da empresa Sprout Pharmaceuticals lê-se que o medicamento não serve para tratar perda de desejo sexual devido a uma condição médica ou psiquiátrica coexistente, a problemas na relação ou a efeitos secundários de outros medicamentos. @US_FDA approves #flibanserin for female hypoactive sildenafil 5 mg preco sexual desire disorder pic.twitter.com/uJKDo493dK É certo que nenhum medicamento está livre de apresentar efeitos secundários, por isso há que avaliar se os benefícios compensam os riscos. Tendo em conta que uma em cada cinco mulheres referiu ter tido efeitos indesejados e que as melhorias são pouco significativas talvez não se justifique, como argumenta o médico Walid Fouad Gellad, citado pelo site Vox. A FDA aconselha que as mulheres interrompam a medicação se ao fim de oito semanas não notarem efeitos positivos no desejo sexual. Outro ponto importante é que as mulheres refiram qualquer tipo de alteração, visto que não existem estudos do efeito a longo prazo de um medicamento que deve ser tomado diariamente. em relação ao parceiro sexual, a falta de comunicação entre o casal, a perda de qualidade na relação, o acumular de preocupações durante o dia, a satisfação com o próprio corpo ou as crenças e mitos.
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