O que a história de fracasso do viagra feminino ensina sobre a sexualidade das mulheres
O corpo humano é uma máquina incrível - e acreditar que uma pílula pode resolver todos os problemas é uma visão acanhada." Sabia que a BBC está também no Telegram?
- Em Portugal, a disfunção sexual feminina é frequentemente subdiagnosticada, pois muitas mulheres não falam abertamente sobre o assunto com o seu médico de família.
- A terapia sexual e a psicoterapia de casal são frequentemente mais eficazes do que qualquer medicamento para problemas de desejo.
- As causas mais comuns de falta de desejo incluem stress, fadiga, depressão, ansiedade de desempenho e conflitos no relacionamento.
- A menopausa e a perimenopausa são fases críticas em que muitas mulheres procuram soluções para a diminuição da libido.
- Os contraceptivos hormonais podem reduzir o desejo sexual em algumas mulheres, sendo importante rever a contraceção com o ginecologista.
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| Medicamento | Estado na EMA | Motivo da não aprovação | Alternativa na UE |
|---|---|---|---|
| Flibanserina | Recusado (2013) | Relação benefício-risco desfavorável | Nenhum equivalente direto |
| Bremelanotida | Não submetido | — | Nenhum |
| Testosterona | Aprovada apenas para homens | Falta de estudos em mulheres | Uso off-label com supervisão |
| Ospemifeno | Aprovado | — | Indicado para dor durante relação |
Para acessar o conteúdo clique em "aceitar e continuar". A busca pelo viagra feminino tem despertado grande curiosidade, mas será que existe realmente uma solução para a diminuição do apetite sexual feminino?
O fracasso da primeira onda de pesquisas
Por meio da prática, ela conta, as mulheres conseguiram ganhar mais consciência das mudanças físicas que acontecem antes e durante a atividade sexual - a vasocongestão ou as sensações parecidas com "formigamento" típicas da excitação -, o que pode lhes ajudar a aumentar ou manter o desejo sexual subjetivo. "Vimos que o mindfulness também atua sobre a miríade de pensamentos negativos que as mulheres com problemas sexuais têm de si mesmas, reduz o nível de autocrítica e aumenta a autocompaixão." Prause acredita que, a essa altura, a indústria farmacêutica tenha desistido de procurar uma pílula que resolva os problemas sexuais das mulheres. "O que tenho visto são startups tocadas individualmente por alguns cientistas com ideias mais inovadoras." A sua startup, a Liberos, ainda realiza pesquisas, mas recentemente a cientista voltou à UCLA. Da última vez em que esteve ligada à universidade, em meados dos anos 2010, ela começou a enfrentar dificuldade para continuar seus experimentos em psicofisiologia sexual quando um "senhor" que tinha bastante poder sobre a política de financiamento de pesquisa na instituição "parecia realmente incomodado" com o que ela se propunha a investigar. "Eu sempre amei a universidade, a ideia de ser cientista, de descobrir conhecimento - isso sempre teve mais apelo pra mim do que o mercado.
2. Testosterona
Ele se aposentou, eu voltei", ela conta. Desta vez, ela tentou se colocar numa posição que considera mais segura. Está no departamento de Medicina, focada em áreas ligadas à sexualidade feminina, mas agora como estatística. "Eu brinco que ninguém precisa de um sexólogo, mas todo mundo precisa de um estatístico…" Depois de trabalhar preco viagra original 50 mg com a pesquisa do viagra, Boolell se afastou dos testes clínicos relacionados à sexualidade. Passou por outras farmacêuticas na Suíça, França e Estados Unidos, mas em setores ligados às cardiopatias e à diabetes, suas áreas de expertise. Corria o ano de 2015, quando a agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA), deu aval à comercialização do primeiro medicamento, com o nome comercial de Addyi, que visava combater a diminuição do desejo sexual feminino. Este medicamento tem sido comercializado desde então nos Estados Unidos da América, com necessidade de receita médica, especialmente dirigido às mulheres que estão a entrar na menopausa.
| Produto | Dosagem | Quantidade + Bónus | Preço | |
|---|---|---|---|---|
| Viagra Super Active | 100mg | 30 + 6 comprimidos | 64.09€ 61.04€ | |
| Viagra Genérico | 25mg | 360 + 10 comprimidos | 213.68€ 203.50€ | |
| Viagra Professional | 100mg | 10 comprimidos | 44.09€ 41.99€ | |
| Viagra Genérico | 150mg | 180 + 10 comprimidos | 236.46€ 225.20€ | |
| Viagra Soft Tabs | 100mg | 20 comprimidos | 62.99€ 59.99€ | |
| Viagra Soft Tabs | 100mg | 10 comprimidos | 36.93€ 35.17€ | |
| Viagra Genérico | 25mg | 10 comprimidos | 25.19€ 23.99€ | |
| Viagra Soft Tabs | 100mg | 90 + 6 comprimidos | 205.31€ 195.53€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 360 + 10 comprimidos | 330.21€ 314.49€ | |
| Viagra Genérico | 150mg | 360 + 10 comprimidos | 423.48€ 403.31€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 30 + 4 comprimidos | 60.91€ 58.01€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 10 comprimidos | 28.91€ 27.53€ | |
| Viagra Genérico | 200mg | 180 + 10 comprimidos | 277.56€ 264.34€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 20 comprimidos | 45.58€ 43.41€ | |
| Viagra Original | 100mg | 4 comprimidos | 40.94€ 38.99€ | |
| Viagra Genérico | 25mg | 120 + 6 comprimidos | 125.56€ 119.58€ | |
| Viagra Super Active | 100mg | 10 comprimidos | 28.76€ 27.39€ |
Promete melhorar o desejo sexual, assumindo-se como uma espécie de viagra feminino.
Possíveis efeitos colaterais
No fim da conversa por telefone, a reportagem pergunta se ele acha que uma droga vai algum dia resolver os problemas sexuais das mulheres. "Seria triste se fosse uma pílula, né? Acho que somos mais do que isso." "As pessoas hoje querem uma pílula para tudo - para perder peso, resolver seus problemas sexuais. Mas o corpo é muito mais do que isso. Nós somos resultado de milhões de viagra sildenafil 50 mg anos de evolução. No entanto, ao contrário do que acontece no viagra masculino, este medicamento funciona de forma distinta e há a necessidade de ser tomado diariamente, de forma a equilibrar determinados neurotransmissores cerebrais que têm um importante papel ao nível do desejo e da motivação sexual.
- O farmacêutico português pode dar aconselhamento inicial, mas deve encaminhar a mulher para o médico se houver suspeita de disfunção sexual.
- As aplicações móveis de saúde sexual e os fóruns online podem oferecer apoio, mas não substituem o diagnóstico profissional.
- É importante que a mulher se sinta confortável a falar com o seu médico, pois a vergonha é um dos maiores obstáculos ao tratamento.
- Em última análise, a solução mais eficaz passa por uma avaliação completa que inclua história clínica, exames hormonais e avaliação psicológica.
A aprovação deste medicamento não está isenta de polémica e discussão.
Depois de várias tentativas, a FDA deu finalmente luz ver ao primeiro comprimido sexual para as mulheres
"E a ideia de que você pode consertar isso com uma pílula é uma loucura, é não entender a complexidade do desejo sexual." Outras abordagens farmacológicas - como o Vyleesi, injeção de bremelanotida aprovado nos EUA em 2019 para mulheres em pré-menopausa com baixa libido - tampouco se mostraram frutíferas. Parte do fracasso pode ter relação com o fato de que o desejo tem uma dimensão psicológica relevante para as mulheres. É o que ajuda a explicar, por exemplo, porque a baixa libido as afeta mais que aos homens. Depressão, ansiedade, estresse, baixa autoestima, conflitos no relacionamento, vergonha do parceiro - tudo isso interfere mais no desejo feminino do que no masculino, pontua a viagra tablet price in portugal professora Lori Brotto, da Universidade da Colúmbia Britânica. "Os homens também se beneficiam dos efeitos dos níveis mais elevados de testosterona, que os permite sentir uma forma mais espontânea de desejo", ela acrescenta.
6. Ginseng
O desejo espontâneo foi durante muito tempo a ideia pré-concebida do que era desejo: uma vontade que simplesmente aparece, como a fome ou a sede. As correntes mais modernas do estudo da sexualidade feminina têm investigado, contudo, o que chamam de desejo sexual responsivo, aquele que surge como consequência de um estímulo. Uma das cientistas que introduziu esse conceito no início dos anos 2000 foi a canadense Rosemary Basson. A pesquisadora também é autora da ideia da resposta sexual cíclica, que questiona o esquema da resposta sexual feminina como algo direto e linear - desejo, excitação, orgasmo e resolução. Para Basson - e uma legião de cientistas hoje -, as coisas não são tão simples assim.
1. Flibanserin
O modelo linear tradicional, que vem de estudos das décadas de 60 e 70, ignora o que ela descreve como "componentes importantes da satisfação da mulher: confiança, intimidade, respeito, comunicação, afeto e prazer pelo toque". Segundo ela, a resposta sexual das mulheres pode ser linear - quando não têm parceiro fixo, no início de um relacionamento, por exemplo. Já mulheres em relacionamentos mais longos tendem a experimentar a resposta sexual cíclica, em que desejo e excitação são etapas de um processo que se retroalimenta e também envolve intimidade emocional e estímulos sexuais psicológicos. Essa discussão é importante não apenas para entender melhor as mulheres, mas para saber diferenciar o que são problemas que de fato precisam de tratamento e o que é da natureza da sexualidade feminina. Lori Brotto, diretora do Laboratório de Saúde Sexual da Universidade da Colúmbia Britânica, vem estudando o uso de mindfulness (atenção plena) para tratar mulheres com baixa libido, com resultados bastante positivos. Inicialmente ,foi desenvolvido como antidepressivo, contudo, quando a sua eficácia não foi comprovada acabou por ser descontinuado. Posteriormente, voltou a ser novamente estudado, com o objetivo de intervir ao nível da diminuição do desejo sexual feminino. Após alguns chumbos devido aos efeitos secundários que apresenta (tonturas, náuseas, sonolência e diminuição da pressão arterial), a sua comercialização acabou por ser aprovada mas os seus efeitos positivos não se fizeram sentir exponencialmente nas mulheres, ao contrário do que seria de esperar (alguns estudos referem que apenas 8 a 13% das mulheres que participaram no estudo sentiram melhorias no desejo sexual).
Viagra feminino: mito ou realidade?
A cientista chegou a participar, a convite da farmacêutica que lançou o flibanserin, de um painel com especialistas que simulava o formato adotado pelo FDA - um procedimento que as empresas às vezes fazem para se preparar melhor para o processo "real". Com acesso aos dados da pesquisa, chamaram-lhe atenção os registros diários dos relatos dados pelas participantes aos pesquisadores e o fato de que as mulheres que estavam no grupo placebo também tinham experimentado aumento da libido. "A partir do momento em que as mulheres começaram a se perguntar sobre desejo, elas passaram a sentir desejo! Não seria mais barato comprar um diário do que tomar uma pílula? "Nós obviamente depreendemos de dados como esses que o desejo é uma experiência complexa.
Flibanserin é o mesmo que Viagra?
Não é como uma bolha que estoura, é uma experiência consciente. E se a única maneira pela qual você consegue medir é perguntando às pessoas, o dado é enviesado. É diferente de uma ereção, que é algo observável. A excitação feminina é tão mais complicada..." Nesse sentido, Diamond menciona uma área de pesquisa da sexualidade feminina chamada de estudos de concordância, que investiga a conexão e desconexão entre a resposta sexual fisiológica e a resposta cerebral. Nos homens, na maioria das vezes a excitação sexual subjetiva - ou seja, o que acontece no cérebro - conversa com o que está acontecendo na genitália.
4. Tribulus terrestris
O homem sente desejo e tem uma ereção. No caso das mulheres, é mais comum que ocorra uma desconexão entre as duas esferas. Uma mulher pode ter sinais físicos de excitação - o aumento de fluxo sanguíneo para a vagina e clitóris, por exemplo -, mas não necessariamente sentir desejo ou vontade de se engajar em alguma atividade sexual, e vice-versa. "Pessoalmente acho que muito disso tem a ver com o fato de que, para os meninos, quando estão crescendo, é mais fácil ligar os sentimentos com o que está acontecendo no corpo. Meninas não são encorajadas a explorar o próprio corpo e não têm a menor ideia do que está acontecendo lá embaixo - então muitas mulheres acabam dissociando o corpo da cabeça", diz a pesquisadora. Tendo em conta estes dados, a existência e a pertinência de um viagra feminino tem gerado muita controvérsia e discussão na comunidade científica. Se por um lado, o viagra feminino poderia representar uma revolução ao nível da sexualidade feminina e na forma de tratar as disfunções sexuais, a verdade é que a maioria dos casos de diminuição da libido feminina parece dever-se a questões do foro psicológico (apenas uma pequena parte das dificuldades sexuais das mulheres se deve a desajustes dos neurotransmissores). A ação da testosterona no cérebro humano passa por tornar as pessoas mais atentas aos sinais sexuais e estimular a sua imaginação sexual. Esta ação da testosterona no desejo sexual tem sido sobretudo testada e comprovada nos homens.